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Pantanal Sul

Conheci o Pantanal Sul em sua maior cheia dos últimos 20 anos, o que me dificultou ver animais maiores, mas que em compensação me deu um dos cenários mais bonitos que já visitei.

Debaixo de uma ou outra chuva torrencial eu cavalguei, pesquei pacu e piranha (pelo menos tentei), fui atrás de jacaré, virei banquete de enormes e vorazes pernilongos e comi feito um alucinado as maravilhas da cozinha pantaneira. Dentre as iguarias sul mato-grossense experimentei o caldo de piranha, ensopado de tartaruga, sopa paraguaia, dourados e pintados, e quilos de jacaré feito à dore, molho de urucum, grelhado com vegetais… Decidi abrir uma jacareria no Rio de Janeiro, a carne branca é light, suculenta e deliciosa.

Os imprevistos são o “Carro-Chefe” do Pantanal. Os melhores e mais engraçados programas que fiz não estavam no roteiro, seja um jacaré escapar da mão do guia e quase cair no colo do gringo ou cruzar na boleia de um caminhão por uma comitiva de 800 cabeça de gado nelore fugindo da cheia.

A chuva quando caia caprichava no exagero de água e logo passava, deixando no céu arco-íris colossais. O céu do Pantanal, à propósito, é um espetáculo à parte: O anil do céu, as nuvens brancas espalhadas, as mil cores do entardecer e o céu estrelado de mapas do zodíaco.

Depois de quatro dias muito bem aproveitados segui para mais quatro dias em Bonito.

Quando ir

Eu fui na semana do carnaval. Peguei a maior cheia dos últimos anos e achei incrível. De novembro a março é a época das águas, pois chove muito. A paisagem muda consideravelmente e de acordo com o povo de lá é mesmo a época em que o Pantanal está mais bonito. Formam-se baías e as calvagadas nos pastos alagados são bacanas demais. Eu não fiz o passeio de avião, mas li que não há dinheiro que pague.

Essa é a época da piracema, onde a pesca é proibida. Fora que o excesso de sedimentos muda o PH da água deixando os peixes mais letárgico e nem piranha morde a isca.

As águas baixam de abril a junho. Na vazante os peixes ficam presos em lagoas naturais, o que favorece a observação de aves.

De julho a outubro vem a seca e fica muito mais fácil de ver os grandes mamíferos, que aparecem na beira dos rios para tomar água e se refrescar.

 Como chegar

Voei até Campo Grande, onde me hospedei por uma noite em um hotel bem chumbreguinha do lado da rodoviária. Na manhã seguinte peguei um ônibus até o Posto da  Polícia Florestal do Buraco das Piranhas, a porta de entrada para a Estrada Parque Pantanal. E dali, um transfer do hotel fazenda me buscou.

Descobri depois que maioria das pousadas oferecem transfers privados ou coletivos direto do aeroporto de Campo Grande, o que pode valer a Pena. Só o taxi para a rodoviária costuma ficar em 45 pratas em 11km de corrida, mais a passagem para o Buraco das Piranhas.

Se o negócio é a economia,  pegue o ônibus municipal que sai da frente do Aeroporto (para a direita, sentido centro) até o 2° ponto da Av. Afonso Pena (passando o McDonald) caminhar duas quadras até a Pça Ari Coelho e pegar o busão 86 para a Rodoviária.

É bem possível que você seja urubuzado por pessoas oferecendo passeios no Pantanal “com vantagens”. Cuidado e juízo, a chance de ser furada é grande.

Há vôos para Corumbá, que favorece o Pantanal mais perto do Rio Paraguai, como Nhecolândia. E ainda, a Azul faz voos direto para Bonito, caso façam o passeio combinado.

Na seca rola alugar carro sem problemas, mas de novembro a fevereiro, a Estrada Parque pode ser um transtorno, pois ela é de terra e passa na meiúca de todo ecossistema pantaneiro. Tanto TAM quanto GOL dão 50% de desconto se você fechar o vôo com eles e reservar o carro na ‎Unidas.

Alugar carro de novembro a fevereiro pode ser um transtorno para atravessar a Estrada Parque Pantanal

Quanto tempo e onde ficar

Três dias e 2 noites são suficientes para curtir bem o passeio. Mais tempo para descanso exige conforto, então pense nisso na hora de acertar sua hospedagem.

Há bons hotéis em Miranda e Aquidauana, mas acho que bacana mesmo é ficar naqueles da Estrada Parque Pantanal, na meiúca do mato.

Há para todos os bolsos, mas pesquise com carinho levando em consideração quem você é, porque para este destino a hospedagem faz muita diferença (diferente de Bonito, por exemplo, que você só volta ao hotel para dormir).

Eu fiquei no Lontra Pantanal Hotel, às margens do rio Miranda, ótimo custo benefício, mas sem conforto. Eu fiquei um dia e noite a mais que o tempo que recomendei e esse ‘conforto’ faltou; mas a comida é deliciosa – eu fechei todas as refeições – e os passeios e guias são bem legais. Palmas para o guia Israel.

Lontra Pantanal Hotel

Lontra Pantanal Hotel

 

Anti Mosquitos na Teoria

Li em um site “Em dependência de fatores climáticos e sazonais, os mosquitos podem causar algum desconforto”. Sério???  Escolhido o destino, aceite-os. Não tem como fugir destes insetos e no Pantanal eles têm tamanho jurássicos. Então escolhi algumas dicas que podem ajudá-lo a doar menos sangue a esses vampirinhos:

Compre seu repelente em Campo Grande, Corumbá ou Bonito. Os repelentes locais já foram pré selecionados naturalmente pela melhor eficiência. Eu acho que o que comprei no Rio tinha efeito lança perfume, eles ficavam doidões atrás de mim!

Evite janela e portas abertas. Recomenda-se fechá-las pouco antes das cinco da tarde.

Prefira roupas claras. A picadura do mosquito matogrossense é nível kid Bengala, eles picam até sobre a roupa. As escuras absorvem mais calor atraindo mais os mosquitos.

Não há mosquitos de Malária no Pantanal.

 

 Passeios

As fazendas oferecem mais ou menos os mesmos passeios. Inclusive é comum, às vezes, compartilhá-los.

A primeira saída foi para uma focagem noturna de barco no rio Miranda, que teria sido muito chata se não fosse uma engraçada eventualidade.

pouco antes do incidente

O guia mira a lanterna em pares de pontinhos brilhantes e enumera animais e hábitos. Só para constar, os animais mais agressivos eram os pernilongos.

“Jacarés, corujas, capivaras, bugios… zzzzzzzz  ah Israel, isso tá um saco vamos embora? – disse a paulista, uma dos seis turistas no barco que me incluía. Não, peraí, vou pegar um jacaré grande pra gente tirar umas fotos. Excitação. O casal de gringos correu para ponta do barco para fotografar o guia laçar o jacaré pela mandíbula. Duas tentativas e o bichão já estava sob nossos flashes.

Satisfeitos, Israel colocou o jacaré em posição de mergulho praticamente para fora do barco, mas na hora de tirar o laço, o bicho num pinote voltou para dentro quase no colo do gringo.

O barco, de 2 metros e meio no máximo, balançou quase virar de um lado a outro. O calcanhar do povo da frente passava zunindo na minha orelha de tão alto que o povo levantava o pé pra fugir – Calma minha gente, está tudo sobre o controle, ele está preso aqui na frente – gritou o guia. Rápido, o jacaré foi laçado e devolvido ao Miranda. O coração na boca veio seguido às gargalhadas. No dia seguinte a confissão do Israel: Ontem em dizia Calma, gente! Mas dentro na minha cabeça só vinha f*deu, f*****deu!”

A Focagem Noturna pode ser feita à pé, na boleia do caminhão ou de barco. Os Safaris Fotográficos também e no melhor estilo pantaneiro: à cavalo.

Nos levaram para outra fazenda para fazer a Cavalgada e como peguei a maior cheia dos últimos anos, como disse, foi ainda mais legal. Às vezes a água ultrapassava meus tornozelos comigo sentado no lombo do cavalo.

Vale levar binóculos, roupas leves, sapatos fechados e caprichar no protetor solar.

 

O objetivo básico é avistar os “Cinco Grandes do Pantanal”: a onça, o cervo do Pantanal, o tuiuiú, tamanduá-bandeira e a sucuri. Fora tuiuiús, a maioria é mais vistos nos períodos de seca. Além deles, eu só o vi o Cervo do Pantanal. E olha que eu catei tudo quanto era passeio para tentar ver sucuris e pelo menos uma oncinha.

Apesar da primeira impressão pela imensidão alagada, Pescar na cheia é mais difícil, nem piranha (que dizem que é só jogar e tirar) mordeu nossas iscas. De acordo com os guias, o excesso de sedimentos das áreas alagadas mudam o pH da água deixando os peixes mais bobos e a fartura de alimento também dificultam a pesca. E se silêncio é regra básicas, é claro que pacu nenhum quis nada com o meu anzol!

Bóia Cross é o barato. O barco nos leva rio acima e a correnteza trás de volta em bóias de caminhão ou aqueles macarrões de hidroginástica.

A primeira pergunta é se corre o risco de piranha comer meu pingolim, já que no Rio piranha não dá bobeira não. 🙂 Só não podem haver feridas que minem sangue. Arranhões e cutículas tiradas são ok.

 

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