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O Realismo Fantástico de Fernando de Noronha

Por trás da beleza ostensiva de Fernando de Noronha e de frente a humildade da Vila dos Remédios e sua gente, a ilha tem personalidade própria. Uma bruma de realismo fantástico de Gabriel García Marquez. Não sei explicar exatamente porquê, talvez pelo N de Noronha assinado no morro do Pico ou pelas lendas brasileiríssimas de Alamoa e Raquel.

Tão antiga quanto o Brasil, a história de Fernando de Noronha é um prato cheio para a imaginação. Américo Vespúcio chegou aqui em sua segunda expedição ao país em 1503. No ano seguinte a ilha foi doada à Fernão de Loronha, herdando o nome do burguês, que na verdade, nunca pisou por lá.

N de Noronha

Depois disso foi alvo de disputa com os holandeses e alemães, e só em 1737, os portugueses ocuparam a ilha definitivamente. É dessa época o Forte Nossa Senhora dos Remédios.

As histórias de Raquel, começam a partir de 1938, quando Noronha é transformada em presídio político, vendida pelo estado de Pernambuco ao Ministério de Guerra.

Quem conta um conto aumenta um ponto e numa dessas lá se foi a verdade sobre moça e o rochedo vazado que fica pertinho do museu do tubarão. O buraco da Raquel.

Uma delas é que a moça, filha de um dos diretores do antigo presídio, era doente mental e que foi obrigada a se mudar de Recife por causa da transferência do pai. E em seus momentos de crise e saudade ela sempre se escondia ali. Mas a melhor das histórias, é que Raquel era a única mulher da ilha entre os 3000 presos e oficiais. Sozinha e incitada pela imponência fálica do Morro do Pico, toda noite ela realizava a fantasia de um dos homens em sua gruta.

Buraco da Raquel

Buraco da Raquel

Em 1942  Fernando de Noronha torna-se um Território Federal e é usada como base militar americana na Segunda Guerra Mundial. O Coronel Tristão de Alencar Araripe, primeiro governador, assume no ano seguinte e constrói o aeroporto, as estradas, o hospital e o colégio.

MapaEm 1988 é reanexada à Pernambuco.

Hoje é um distrito Estadual dirigida por um administrador nomeado pelo governo.

Distante 540km de Natal, a ilha é habitada por cerca de 2 mil pessoas, que dependem do suprimento, combustível e coleta de lixo vindos do continente.

A única estrada da ilha, que liga o Porto Santo Antônio à Praia do Sueste, a BR-363, é a segunda menor rodovia federal do Brasil com seus 7km. Ela só é maior que a BR-488 com 5,9km, que liga a Rodovia Presidente Dutra (BR-116) ao Santuário Nacional de Nossa Senhora de Aparecida.

BR-363, a segunda menor rodovia federal do Brasil

BR-363, a segunda menor rodovia federal do Brasil

Pra quem tem um tempinho pra ficar de boa, a ilha ainda apresenta suas sutilezas incríveis, como a desleal guerra dos atobás e fragatas.

O atobá é um pescador nato, pode se lançar do ar ao mar, de 15 a 20 metros de altura e atingir até 7 a 8 metros de profundidade, atrás de sua presa usando as asas como nadadeiras debaixo d’água. Mas o perigo vem de cima. Impossibilitadas de mergulhar, porque não possuem glândulas de gordura para impermeabilizar suas penas, as fragatas, maiores e mais leves, compensam com velocidade, manobras e acrobacias. E assim que o pescador pesca seu almoço, o pirata de asas se atiram atrás do rival para fazê-los regurgitar seu almoço.

Oportunistas inveteradas, as fragatas estão sempre atrás de presa já caçada. Pirateando atrás de barcos pesqueiros ou dos atobás.

Dos animais terrestres, o único nativo é um pequeno lagarto, chamado pela população local de mabuia, o mascote da ilha. Aonde quer que se olhe lá estão eles.

O lagarto grande, o Teju, foi introduzido pelos militares em Fernando de Noronha, na década de 60 do século passado, para eliminar os ratos da ilha que vieram com a colonização. O plano teria dado certo se os animais não tivessem hábitos tão distintos, um diurno e o outro noturno. Os ratos continuam aos monte e o lagartão comendo ovos de aves e até filhotes de tartarugas marinhas. O bicho se adaptou tão bem a ilha, que tem imitado suas primas Iguanas; não é comum, mas ele passou a mergulhar e nadar, conforme os registros feitos pelo engenheiro de pesca Léo Veras.

Registros feitos pelo engenheiro de pesca Léo Veras

Junto aos mocós, um outro roedor introduzido em 1967, os tejus apresentam populações bastante expressivas, causando desequilíbrio no ecossistema terrestre.

A LENDA De ALAMOA

Minha coleção de curiosidades não estaria completa se eu não contasse a lenda mais famosa.

Dizem que nas noites de tempestade, e isso os detentos do antigo presídio já contavam, uma fenda se abre lá em cima do Morro do Pico. Ali mora uma loira linda, que próximo da meia noite, desce para dançar nua na praia debaixo da chuva. Iluminada pelos relâmpagos, é possível ver que seus pés não tocam no chão, e por isso, não deixam pegadas na areia. Mas a moça é tão sedutora, que não há homem que resista aos seus encantos, e mesmo diante do sobrenatural mistério, se aproximam. E é nesta hora que se dá a transformação. Os olhos grandes e brilhantes se perdem em dois buracos negros, e a pele sedosa e firme, enruga-se num aspecto sepulcral. Não há salvação, ela irá carregá-lo para o interior do pico, onde só os gritos de desesperos poderão ser ouvidos durante as noites seguintes.

 

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