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Monte seu Roteiro: Jordânia Parte1

Quando pensei em conhecer a Jordânia, minha idéia se resumia em conhecer Petra. Minha viagem para Israel já estava marcada, e porque não passar por ali já que é tão pertinho. Sorte a minha é que eu sou virginiano e enquanto não compilei um punhado de informações na internet eu não sosseguei. Adianto que o país é um prato cheio (literalmente) de sabores, curiosidades e um monte de lugares para conhecer. Ao contrário do que imaginei inicialmente, não é um país barato, em março de 2014 o Dinar Jordaniano valia exatamente o valor do Euro.

Rainha Rania

Em meio a tantos conflitos que ultrapassam  gerações, a Jordânia  é  considerada  o país mais pacífico do Oriente Médio e o povo é de uma hospitalidade ímpar. Portanto, amigão, vá sem medo! E para mulheres idem. Claro que é um país árabe e vale o recato. Minha amiga andando de cabelos ao vento na noite de Amman parecia um frango de padaria girando naquelas televisões de cachorro, mas ninguém tentou trocá-la por camelos (não na Jordânia, porque em Israel sim. KKKK. E isso aconteceu de verdade!). Outra justificativa boa, mulherada, é que a gatíssima rainha Rânia, é um ícone de moda ocidental e não costuma usar o véu nem em países onde o Islã dita regra.

Melhor data para ir

 … é sempre aquela que a gente pode ir, mas a Jordânia, apesar de ser pequenininha, pode ter noites de inverno bem frias para acampamentos no deserto e verões bem quentes para visitar ruínas romanas. Eu quase que já institui pra mim, que data boa para viajar é março/abril ou setembro/ outubro, quando os climas são amenos em quase qualquer lugar, os passeios são mais baratos e muito, muito menos turistas preenchendo suas fotos. Vale evitar o Ramadã, quando muitas agências e restaurantes fecham e existe uma série de restrições.

O Ramadã é o nono mês do calendário islâmico no qual se acredita que o profeta Maomé recebeu a revelação dos primeiros versos do Alcorão de Alá. O calendário lunar tem cerca de 11 dias a menos que o calendário Solar, portanto pode variar de meses e até estações. É um dos mais tradicionais e importantes eventos anuais para os muçulmanos e compõe um dos cinco pilares ou obrigações da fé islâmica. (Shahada – profissão de fé, Salah – cinco orações diárias, Sakat – caridades, Ramadã/Suam – jejum e Hajj – peregrinação a Meca).

Sugestão de Roteiro:

Amman: 1 dia é suficiente para a capital e, se usá-la como base, leve em consideração a quantidade de dias para cada lugar. Se conseguir curtir uma noite nas ruas de Amman sua experiência será completa.

Jerash: 1 dia, geralmente esse bate e volta é associado às ruínas do castelo de Ajlon

Madaba Monte Nebo: 1 dia. Rola voltar para Ammam e seguir caminho no mesmo dia para Mar Morto ou Petra

Ma´in Hot Springs Mar Morto: 1 dia ou 2 se for pernoitar. Conheci o mar Morto do lado israelense, e por causa de alguns contratempos não consegui chegar a Ma’in. Eu estava super curioso com a cachoeira quente que tem neste lugar. Quem for me conte, por favor.

Wadi Musa. 3 dias. O deserto de Wadi Arum Petra são realmente os lugares imperdíveis da Jordânia. Existem guias que recomendam de 2 a 3 dias só para Petra, mas na boa, se você não é uma vovozinha, em um dia você faz tudo super tranquilo. O 3º dia seria para fazer os castelos de Shoubak Karak. Eu fiz, as fotos ficaram lindas, mas os castelos não são essa Coca-cola toda, se tiver que descartar alguma coisa. Essa é sua opção.

Templo de Hércules, Amman

Mar Morto

Monastério, Petra

Deserto Wadi Rum

Informações e minhas experiências estão em posts específicos para cada cidade

Como Chegar

Não existem vôos diretos do Brasil para Jordânia. As duas opções mais comuns para entrar ao país são o Aeroporto internacional de Amman ou uma das três fronteiras de Israel.

Os visitantes com passaporte válido podem obter o visto em qualquer embaixada, consulado ou delegação estrangeira da Jordânia, porém o mais comum é pagá-lo ao chegar ao Amman’s Queen Alia International Airport ou em qualquer outro ponto fronteiriço (exceto a Ponte Rei Hussein e o ferryboat do Egito). Os vistos custam 10 JD para uma entrada única e 20 JD para entradas múltiplas pago em moeda local e são válidos durante duas semanas, mas podem ser alargados em qualquer esquadra de polícia. Há poucas formalidades a cumprir ao sair da Jordânia. É pago um imposto de 8 JDs em qualquer fronteira, exceto nos aeroportos

Queen Alia International Airport

O visto pode ser adquirido no próprio aeroporto mediante a taxa de 20 JDs.

Ônibus expressos ligam o aeroporto à zona urbana a cada meia hora das 7-22hs e a cada uma hora no intervalo seguinte. O custo do bilhete é de 1,5JD mais taxa adicional por bagagem. O trajeto dura 45 min. Opção mais confortável são os táxis na saída do terminal (os oficiais tem cor amarela e um logotipo verde). Custo 15JDs em um trajeto de 30 minutos.

Fonteira de Israel

(Diário de Bordo)

Primeira consideração: Cuidado com o Shabbat. É um domingão judaico que não se pode trabalhar do entardecer de sexta até o entardecer de sábado. Não pode nem cozinhar. O negócio é tão sério que os ortodoxos tem que cortar o papel higiênico de véspera para poder usar. Sério.

Pois é, era uma vez no Shabbat um virginiano coagido a largar todos os seus roteiros fechados, que saiu no mundo com dois amigos achando eu era só seguir os tijolos amarelos…

Existem três entradas na fronteira Israel/Jordânia. A mais próxima de onde eu estava (Tel Aviv) era na Palestina. Allenby Bridge. Com minha amiga judia calando o hebraico e mostrando o passaporte brasileiro, passar por ali seria uma opção, mas ainda nos faltaria o visto, que por aqui precisaria ser tirado na embaixada antes.

 
A Ponte Allenby/Rei Hussein, a 57 km de Amã, situada a sul do Vale do Jordão, está aberta de Dom. – Quinta. 08:00 – 20:00 para chegadas e 8:00 a 14:00 para partidas e Sex-Sáb 08:00 – 13:00.Nota: Carros privados não podem atravessar – os viajantes têm de trocar de veículo para atravessar a fronteira ou utilizar as outras duas fronteiras.
 

A entrada mais fácil é a de Eilat, bem ao sul. Zero taxas ou burocracias, porém seis horas de viagem. Restou apenas a entrada do norte do vale do rio Jordão.

 
Fronteira de Aqaba Crossing/Fronteira Sul, situada no sul, a 324 kms de Amã, liga Eilat e Aqaba. Abertas de Dom. – Qui. 06:30 – 20:00 e Sex. – Sáb. 08:00 – 20:00. Nestas fronteiras, poderão ser obtidos vistos para grande parte das nacionalidades; não são necessárias autorizações prévias, exceto no caso de nacionalidades restritas. A Fronteira de Wadi Araba encerra durante o Ano Novo Islâmico e durante o Yom Kippur.
 

Essas informações só foram conseguidas às nove horas da manhã pela internet. O medo nos atrasou o quanto possível. A opção inicial era abandonar alguns passeios e seguir para Jordânia quando o Shabbat acabasse. Um Bengel toast, uma roscona cheia de coisa dentro trouxe a coragem de volta e ao meio dia saímos de Tel Aviv.

Pegamos uma van amarelinha (monit sherut) até a rodoviária (tahaná haamerkazit) e mais outra para a cidade de Afullah por 35 shekels e uma hora e quarenta de viagem. Como minha amiga, Tamara, fala hebraico, e talvez por isso o motorista tenha sido bacana, ele nos arrumou um taxi para a fronteira por NIS 150 +50 ( por causa do Shabbat).

O taxista da fronteira nos forçou por 20 shekels um tour de 20 minutos pela cidade de Beit´Shean, mas ele só tinha duas informações. Ou era antigo ou era desinteressante. Entubamos e ficamos ao som de arabian dance music.

Pagamos muitas taxas nas fronteiras. NIS 107 + 5 só para sair de Israel e pegar um ônibus que cruza 5 minutos em uma terra, literalmente, de ninguém. Do outro lado, mais 20 JDs pelo visto e 45JD dividido por 3 num taxi até Ammam, tocando felizmente uma JBFM jordaniana. Apesar do toque do celular do motorista também ser arabian dance music.

Atravessando a Fronteira

Cruzando a Fronteira

Outra opção era pegar um taxi até a cidade mais próxima, Irbid, e de lá pegar um ônibus para Amman, mas como estávamos em três compensava o luxo.

Assim que saímos de Israel e entramos em nosso primeiro país árabe de verdade, a Tamara assumiu a aliança do Max e passou a minha para o lado direito e estamos casados desde então. Agora ela é minha propriedade. PS: medida tomada, porque os olhos enviesados das burcadas da fronteira eram incisivos para aquela mulher de dois homens: Va-ga-ba! 

Chegando em Amman um pôr do sol incrível

Depois de duas horas chegamos à Ammam com um pôr do sol incrível e já best friend do motorista,  rolou umas musiquinhas árabes com uma gente ‘sofrendo e cantando’ e ele ensinou a estalar os dedos ritmando a música de um jeito muito diferente. Usando as duas mãos e um v de vitória.

Fronteira de Sheikh Hussein /Fronteira Norte, a 90 km de Amã. Situada no norte perto do Mar de Tiberíades ou Lago de Genesaré, aberta todos os dias a qualquer hora durante o ano.
 

 Eu fiquei 5 dias na Jordânia e foi suficiente, mas eu teria curtido ficar um pouquinho mais.

 Este site oficial do Jordânia vale a pena ser lido, é simples e cheio de informações: http://pt.visitjordan.com/

Diário de Bordo 

Sair do universo ocidental é uma experiência fartamente interessante. Somos doutrinados a ver o mundo de uma forma muito diferente que a do outro lado do hemisfério e descobrir que nem tudo que temos ou acreditamos é necessário, ou sequer conhecido, muda muitos paradigmas.

Conhecer, e depender, do povo árabe, também me fez mudar muitos pré conceitos. Eles tentam interagir de tudo quanto é jeito, mesmo quando não conseguem falar uma palavra em inglês e, pelo menos com a gente, a intenção era sempre boa. Um povo nômade por natureza sabe como receber o viajante, porque sabe como é chegar em um lugar novo.

 

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