• IMG_1338
  • GOPR38551
  • IMG_16691
  • DSC028631
  • Slider1

Na Natureza Selvagem

Into the Wild poster

Em 2007, Estreou no cinema Into the Wild dirigido por Sean Penn e que se tornaria referência para quase todo mochileiro.

Baseado no livro que conta a viagem de dois anos pela vida selvagem feita por Christopher McCandless desde 1990 até 1992 e é uma expansão do artigo de Krakauer, Morte de um Inocente que apareceu na edição de janeiro de 1993 da revista Outside.

É uma leitura que abrange muito além dos apaixonados por se jogar no mundo, mas afeta diretamente quem “se procura”, mesmo que sejamos muito diferentes do protagonista.

No início, não achei o livro deliciosamente bem escrito (ou traduzido), mas é inegável o poder da narrativa de Krakauer que nos mantém conectados do início ao fim mesmo antecipando o final trágico desde a primeira página. A história é incrível, fácil e rápido de ler, tanto por ser curto (210 págs.), quanto por ser muito dinâmico e especial. Não consegui largar durante todo meu tempo livre.

Na Natureza Selvagem. Livro

Comecei a ler o livro jurando que era uma experiência que eu gostaria de experimentar, mas Alex Supertrump/ Chris McCandless e eu somos muito diferentes. Rico em muitas qualidades que eu gostaria muito de ter. Com pouco mais da metade da minha idade, ele é bem mais ideológico/idealista e já saiu sabendo o que procurava (mesmo que a experiência em si fosse uma surpresa). Ele sabia bem quem ele era e o que queria por em prática para sua odisséia. A aventura dele vai muito além das minhas ambições e de quem eu sou, e exatamente por isso, a leitura também foi muito reveladora para mim.

O motivo para tornar a leitura do livro tão importante para um viajante, na minha opinião, é que ele amplia o tempo de uma aventura para frente e para trás. A forma como curtimos um roteiro é fruto de pré experiências pessoais, e assim também, como ela vai nos tocar depois de feita.

Viajar é uma experiência única e intransferível; e o livro reforça a minha idéia que não existe se aventurar certo ou errado.  Existe o SEU jeito e que, quando se encontra, ele é irremediavelmente transformador e prazeroso, mesmo que seja cheia de perrengues e desencontros.

“Somos o resultado dos livros que lemos, das viagens que fazemos e das pessoas que amamos…” (Airton Ortiz)

Cada vez mais essa frase faz sentido pra mim. O tempo dessas três oportunidades nos permite pensar, repensar e nos transformar. Uma vez que embarcamos, de verdade, numa delas nunca voltamos os mesmos.

Arquivo de fotos reveladas dos filmes que estavam junto do corpo de Alex Supertrump

Arquivo de fotos reveladas dos filmes que estavam junto do corpo de Alex Supertrump

PS: Alex praticava calestenia para se preparar para sua aventura. Fiquei feliz com essa insignificante interseção. Rs.

PS 2: Diferente do autor, gosto de chamar o personagem de Alex (Super Vagabundo, tradução literal de seu sobrenome), que é quem ele escolheu ser e como ele, de fato, viveu. Isso é muito importante e libertador. E é meta que tento cumprir, mesmo que a rotina, falta de grana, convenções… tentam nos impor. Em seu último bilhete o personagem volta a assinar seu nome de batismo ( e o filme da uma enfase muito maior a isso), mas acredito que Surpertrump é um bom alterergo para todos nós.

PS 3: Um dos pontos altos do livro é o seu encontro com Ronald Franz, um senhor de 81 anos. Uma carta longa e uma mudança extraordinária!

Filme vs Livro

Vi o filme quando estreou. Gostei, mas não mais que isso. Talvez não estivesse preparado, já que só depois dele fiz minha primeira grande viagem/minha primeira aventura. E agora, depois de ler o livro, me apressei em revê-lo.

Apesar de ser bem fiel, eles conversam de forma bastante diferente.

Não sou crítico de cinema, nem entendo de técnica. Posso opinar apenas pelo que senti. O filme é extremamente bem fotografado, levando as belezas naturais direto ao coração com a ajuda de uma trilha sonora espetacular. O filme é para ser sentido e pouco para ser interpretado, apesar de tudo estar ali.

Cena do filme (Google)

Cena do filme (Google)

O livro é o exato oposto. É uma viagem a quem somos, respaldado nos encontros reais e literários tanto do protagonista, quanto de quem cruza seu caminho, quanto do autor e, por fim, a cada um de nós.

Krakauer, ao tentar preencher as lacunas sobre o paradeiro de Alex, destrincha seus personagens, a si próprio e a nós mesmos como passageiros de nosso aprendizado, nos aproximando não só pelas congruências, mas também pelas diferenças, tornando-nos íntimos de um todo que nos cerca, tanto de um mundo exterior, quanto particular.

 

2 Comentários

    Raquel | Em 26/01/2017
  1. Felipe, eu amei o filme desde o primeiro momento…
    Não sei porquê, mas nunca havia pensado em ler o livro, porém com sua descrição, fiquei super instigada …
    parabéns pela escrita leve e envolvente de sempre!

  2. Fellipe Archanjo | Em 26/01/2017
  3. Que delicia que gostou, Raquel. Você vai adorar o livro.